5.8.16

Summer playlist

















Elmore James, It hurts me too
Billy Bragg, Handyman blues
Eddie Harris, I don't want nobody
David Murray & The Infinity Quartet feat. Saul Williams, Children of the night
E, a fechar, como no concerto do Murray em Sines, Saul Williams, aqui feat. Emily Kokal, com a poderosa Burundi.



16.7.16

Meio do livro

















Foi então que me perguntaram para que serve a poesia.
Para atrair traças. Não soube dizer.
Quiseram fazer-me o horóscopo:
Gostava tanto de mexer na vida.

E se não fosse uma poeta, perguntaram,
seria o quê? Abri um livro ao calhas -
atleta, estafeta, hospedeira, jogadora compulsiva
de tudo o que me livre da contabilidade.

E um bom poema? Uma banana a apodrecer numa fruteira.
E o que a comove? Uma banana a apodrecer numa fruteira.
(Não se trata de metafísica de espécie nenhuma,
as nódoas negras sempre me causaram fraqueza.)

Quiseram até saber da minha vontade
o que ficaria escrito no meu epitáfio.
E do que mandaria a um político.

Mas agora que penso, o que quero é largar o moribundo
é o que o predador apaixonado pela caça deve querer.

Venham brincar comigo,
para já para já
fica escrito.


(Numa sessão de poesia fiquei conheci a Raquel Nobre Guerra. Este é do Senhor Roubado).


7.7.16

Still nevermind


















Por falar em adolescência, esta música-vídeo maravilhosa deste cantor country maravilhoso que me transportou à minha.

(Encontrei o poster que comprei há 23 anos, quando era difícil arranjá-los. Ainda que de modo diferente, continuo a gostar dele. Voltei a afixá-lo.)



6.7.16

Deus ateu

Sabes aquela ideia que interfere com os nervos de uma pessoa e apetece estrangular com argumentos acesos? Não? Nunca te aconteceu, numa conversa, acertarem-te com uma frase na cricóide capaz de te fazer perder o fôlego de tantas palavras furiosas tossires? Sim? Sabes ao que me refiro? Pois, aconteceu-me estes dias. A ideia das pessoas não terem nenhuma obrigação de tomar partidos afetivos, serem, portanto, cool, educadas e, sobretudo, socialmente competentes pela sua impecável neutralidade. Bah! Que se foda essa imparcialidade, que mais não é senão imprecisão, indiferença, vagueza, corpo assexuado. E se ter um coração partidário é imaturidade então sou uma adolescente tipo flor brotante a crescer dentro de uma tenda num festival de verão.



1.6.16

Refazendo

































«Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar»